
A 17ª Cúpula de Líderes do BRICS, realizada no Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2025, representou um momento de profunda dualidade para o agrupamento. Por um lado, o evento foi marcado por um desafio simbólico significativo, com as ausências notáveis dos presidentes da China e da Rússia, o que alimentou uma narrativa midiática de “esvaziamento” e questionamentos sobre a coesão e o peso político do bloco. Por outro lado, a cúpula demonstrou um avanço substantivo notável, culminando na maior expansão de sua história, com a adesão de um novo membro pleno e a criação de uma inovadora categoria de “países parceiros”.
Além disso, sob a liderança da presidência brasileira, o grupo alcançou consenso em pautas estratégicas e de alto impacto, materializadas em três declarações específicas sobre saúde global, governança da inteligência artificial e finanças climáticas. A “Declaração do Rio de Janeiro”, documento final do encontro, reafirmou vigorosamente o apelo do bloco por uma reforma da governança global, ao mesmo tempo que aprofundou os mecanismos de cooperação internos. Este relatório analisa que a cúpula, embora potencialmente enfraquecida em seu espetáculo geopolítico, emergiu como um marco na maturação institucional do BRICS. O foco deliberado em uma agenda de desenvolvimento social, em detrimento de uma retórica de confronto direto, sinaliza uma redefinição sutil da identidade do bloco, consolidando-o como o principal articulador dos interesses multifacetados do Sul Global em uma ordem internacional cada vez mais fragmentada.
I. Introdução: A 17ª Cúpula do BRICS em um Cenário Global Adverso
Contexto e Lema
Em um cenário internacional caracterizado por tensões geopolíticas crescentes, conflitos armados e uma crise percebida do multilateralismo, o Brasil sediou a 17ª Cúpula de Líderes do BRICS na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho de 2025.1 O encontro ocorreu sob a presidência rotativa brasileira, que estabeleceu como lema norteador: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”. Este tema não foi meramente protocolar; ele encapsulou a visão estratégica da diplomacia brasileira para o bloco, posicionando-o como uma força motriz para a reforma da arquitetura de poder global. Em seus discursos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou essa visão, descrevendo o BRICS como um “herdeiro do Movimento Não-Alinhado” e do espírito da Conferência de Bandung, em um momento histórico de “colapso sem paralelo do multilateralismo”. A escolha do lema e a retórica associada buscaram resgatar um legado de autonomia e solidariedade entre as nações em desenvolvimento, projetando o BRICS como a principal plataforma para a articulação de uma agenda alternativa àquela dominada pelas potências ocidentais.
O Paradoxo do “Esvaziamento”: Análise Crítica das Ausências
Apesar da agenda ambiciosa, a cúpula foi imediatamente definida na cobertura da mídia por um fator central: a ausência de líderes de dois dos mais influentes membros do bloco, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping. A eles se somaram as ausências dos líderes do Egito e do Irã, gerando uma percepção generalizada de um encontro “esvaziado”.
A ausência de Vladimir Putin era, em grande medida, esperada e decorreu de um complexo impasse jurídico-diplomático. Contra o presidente russo pesa um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 2023. Como signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, o Brasil teria, em tese, a obrigação legal de deter Putin caso ele ingressasse em seu território.1 O Kremlin justificou a decisão de Putin de não comparecer afirmando que o governo brasileiro “não conseguiu se posicionar de forma clara” sobre como lidaria com o mandado, criando uma incerteza inaceitável.
A ausência de Xi Jinping, por sua vez, foi atribuída oficialmente a “conflitos de agenda”, com o premiê Li Qiang liderando a delegação chinesa, em um arranjo semelhante ao adotado na cúpula do G20 na Índia em 2023. Fontes chinesas envolvidas nos preparativos também mencionaram o fato de que Xi e Lula já haviam se encontrado múltiplas vezes em um curto período, sugerindo que um novo encontro de cúpula não era uma prioridade máxima.
Diante da narrativa de enfraquecimento, o governo brasileiro adotou uma postura de refutação. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a análise de “cúpula esvaziada” como “superficial”. Ele argumentou que, no conturbado cenário global, ausências de chefes de Estado são ocorrências normais e citou o exemplo de uma reunião do G7 em que o presidente dos EUA precisou se retirar, sem que o evento fosse considerado um fracasso. Vieira enfatizou que a presença confirmada de 14 chefes de Estado e de governo no Rio de Janeiro era a prova cabal da relevância e do sucesso do encontro.
A percepção de um esvaziamento simbólico, no entanto, pode ter gerado um efeito paradoxal. A ausência dos líderes com as agendas geopolíticas mais assertivas e, por vezes, mais confrontacionais em relação ao Ocidente, como Putin e Xi, pode ter diminuído a temperatura política do encontro. Isso criou um espaço para que a agenda substantiva, cuidadosamente preparada pela diplomacia brasileira ao longo de meses, ganhasse proeminência.1 Analistas sugeriram que essa configuração ofereceu uma oportunidade para que membros como Brasil, Índia e África do Sul, que mantêm relações pragmáticas com o G7, avançassem em pautas de consenso sem a sombra de uma polarização inevitável.13 Dessa forma, a cúpula tornou-se menos um palco para a performance do poder geopolítico e mais um fórum de trabalho focado na construção de cooperação técnica e no avanço de uma agenda de desenvolvimento, o que, em última análise, pode ter contribuído para os resultados concretos alcançados.
II. A Expansão do Bloco: Rumo a uma Nova Configuração Institucional
Um dos resultados mais tangíveis e transformadores da 17ª Cúpula foi a consolidação de uma nova e ambiciosa fase de expansão do BRICS. Esta expansão ocorreu em duas frentes: a admissão de um novo membro pleno e a criação de uma categoria inteiramente nova de “países parceiros”, alterando fundamentalmente a composição e a dinâmica do grupo.
Adesão da Indonésia
A República da Indonésia foi formalmente saudada como o mais novo membro pleno do BRICS, elevando o número total de integrantes para onze.4 Os membros plenos agora incluem Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia. A inclusão da Indonésia é estrategicamente significativa. Trata-se da maior economia do Sudeste Asiático, um membro proeminente do G20 e o país com a maior população muçulmana do mundo. Sua adesão não apenas reforça o peso demográfico e econômico do bloco, mas também amplia sua influência geográfica para uma região crucial da Ásia-Pacífico, fortalecendo a reivindicação do BRICS de representar as diversas vozes do Sul Global.
Criação da Categoria “Países Parceiros”
Talvez a inovação institucional mais importante da cúpula tenha sido a formalização da categoria de “Países Parceiros”. Dez nações foram admitidas sob este novo status: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. Este modelo cria uma estrutura de cooperação em dois níveis. Ele permite que países interessados se engajem mais profundamente com a agenda e as atividades do BRICS, participando de reuniões e fortalecendo redes de cooperação, sem passar pelo processo mais complexo e politicamente sensível da adesão plena.16 Essa estrutura de “círculos concêntricos” oferece ao BRICS uma maior flexibilidade para expandir sua influência e construir coalizões em torno de temas específicos, respondendo ao crescente interesse de dezenas de nações do Sul Global em se associar ao grupo.
Implicações da Expansão
A transformação do BRICS de um grupo de cinco para uma plataforma que agora engloba 21 nações (11 membros plenos e 10 parceiros) é uma mudança de magnitude histórica. Por um lado, ela aumenta exponencialmente a legitimidade do bloco como o principal porta-voz dos interesses do Sul Global, conferindo-lhe um peso demográfico, econômico e territorial sem precedentes. Por outro lado, essa diversidade massiva introduz desafios formidáveis. A heterogeneidade política (com democracias, monarquias e estados autoritários), econômica (com potências industriais, exportadores de energia e economias agrárias) e de alinhamentos geopolíticos (com países alinhados ao Ocidente e outros sob sanções ocidentais) torna a manutenção da coesão e a tomada de decisões por consenso, um princípio fundamental do bloco, exponencialmente mais complexa. Essa realidade levanta questões sobre uma potencial “crise de identidade” e o futuro direcional do grupo.
A expansão, contudo, não é apenas um desafio, mas também um poderoso catalisador para a evolução institucional do BRICS. O modelo de governança informal que funcionava para cinco membros torna-se insustentável para um agrupamento de 21. A necessidade de gerenciar essa nova complexidade está forçando o bloco a se institucionalizar. Evidências desse processo já são visíveis: a própria criação da categoria de “país parceiro” é uma inovação estrutural 4; a discussão sobre uma nova escala para a presidência rotativa tornou-se uma necessidade prática 16; e a elaboração de um portfólio mapeando os 180 mecanismos de cooperação existentes foi uma iniciativa para orientar e integrar os novos membros.18 Da mesma forma, o fortalecimento de redes de
think tanks como o BRICS Think Tank Council (BTTC) e a BRICS Think Tanks Network for Finance (BTTNF) visa criar uma base intelectual e de formulação de políticas mais sólida, capaz de sustentar um grupo maior e mais diverso.19 Portanto, a expansão deve ser entendida não apenas como um aumento numérico, mas como a principal força motriz que está impulsionando a transição do BRICS de um clube político informal para uma plataforma internacional mais estruturada, com regras e procedimentos mais definidos.
A Nova Arquitetura do BRICS (2025)
A tabela a seguir ilustra a escala e a diversidade do “BRICS ampliado”, fornecendo um panorama do peso demográfico, econômico e da heterogeneidade do grupo após a Cúpula do Rio.
Categoria | País | Região Geográfica | População (Estimativa 2025) | PIB Nominal (Estimativa 2025, USD Bilhões) | Principal Característica Econômica |
Membro Pleno | África do Sul | África | 61 milhões | 400 | Economia diversificada, rica em minerais |
Arábia Saudita | Oriente Médio | 38 milhões | 1.100 | Maior exportador de petróleo | |
Brasil | América do Sul | 218 milhões | 2.300 | Potência agrícola e industrial | |
China | Ásia Oriental | 1,425 bilhão | 19.400 | Potência industrial e tecnológica global | |
Egito | África/Oriente Médio | 110 milhões | 380 | Economia diversificada, serviços, turismo | |
Emirados Árabes Unidos | Oriente Médio | 10 milhões | 530 | Centro financeiro e logístico, energia | |
Etiópia | África | 125 milhões | 160 | Economia agrária em rápido crescimento | |
Índia | Sul da Ásia | 1,440 bilhão | 4.100 | Potência em serviços, TI e indústria | |
Indonésia | Sudeste Asiático | 280 milhões | 1.400 | Economia emergente, commodities | |
Irã | Oriente Médio | 89 milhões | 400 | Economia baseada em petróleo e gás | |
Rússia | Europa/Ásia | 144 milhões | 2.100 | Grande exportador de energia e minerais | |
País Parceiro | Belarus | Europa Oriental | 9 milhões | 75 | Economia industrializada |
Bolívia | América do Sul | 12 milhões | 45 | Exportador de gás natural e minerais | |
Cazaquistão | Ásia Central | 20 milhões | 260 | Rico em petróleo, gás e urânio | |
Cuba | Caribe | 11 milhões | 100 | Economia centralizada, turismo, serviços | |
Malásia | Sudeste Asiático | 34 milhões | 450 | Economia industrializada e de exportação | |
Nigéria | África Ocidental | 225 milhões | 500 | Maior economia da África, petróleo | |
Tailândia | Sudeste Asiático | 70 milhões | 520 | Turismo, manufatura, agricultura | |
Uganda | África Oriental | 48 milhões | 50 | Economia baseada na agricultura | |
Uzbequistão | Ásia Central | 36 milhões | 95 | Exportador de algodão, gás e ouro | |
Vietnã | Sudeste Asiático | 99 milhões | 470 | Centro de manufatura em rápido crescimento |
Fontes: Dados compilados e estimados com base em informações de 3 e projeções de instituições como FMI e Banco Mundial para 2025.
III. A Declaração do Rio de Janeiro: Os Pilares da Cooperação
O documento culminante da cúpula, a “Declaração do Rio de Janeiro”, serviu como a articulação formal da visão coletiva do grupo, reafirmando o compromisso com os seus três pilares tradicionais de cooperação: político e de segurança; econômico e financeiro; e cultural e interpessoal. O texto detalha uma agenda abrangente que busca não apenas fortalecer os laços internos, mas também projetar a influência do bloco no cenário global.
Eixo Político e de Segurança: A Demanda por Reforma
O cerne da dimensão política da declaração foi um chamado veemente e uníssono pela reforma da governança global. Os líderes do BRICS argumentaram que a atual arquitetura internacional, concebida em um contexto pós-Segunda Guerra Mundial, não reflete mais as realidades do século XXI. O objetivo declarado é a construção de uma ordem internacional mais justa, representativa e inclusiva, que conceda maior voz e participação aos países do Sul Global.5
Nesse contexto, a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) foi destacada como uma prioridade absoluta. A declaração defende uma reforma abrangente da organização, com ênfase especial em seu Conselho de Segurança, para torná-lo mais democrático, eficiente e com maior representação dos países em desenvolvimento. De forma significativa, China e Rússia, ambos membros permanentes do Conselho, reiteraram seu apoio às aspirações de Brasil e Índia de desempenharem um papel mais proeminente na ONU, incluindo no próprio Conselho. O discurso do presidente Lula foi particularmente incisivo, afirmando que a inclusão de novos membros permanentes da Ásia, África e América Latina é uma condição essencial para a “sobrevivência da própria ONU”, que ele descreveu como paralisada e com sua credibilidade em xeque.
A mesma lógica reformista foi aplicada às instituições de Bretton Woods. A declaração reiterou a “necessidade urgente” de reformar o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para que suas estruturas de governança e cotas de poder reflitam o peso crescente das economias emergentes no cenário global.
Além da agenda reformista, o eixo político também incluiu uma forte crítica ao unilateralismo. A declaração condenou explicitamente a imposição de “medidas coercitivas unilaterais”, como sanções econômicas, por considerá-las contrárias ao direito internacional e prejudiciais ao desenvolvimento e aos direitos humanos.5 Embora não nomeie países específicos, a crítica é amplamente interpretada como uma referência direta às políticas de sanções praticadas pelos Estados Unidos e seus aliados.
Eixo Econômico e Financeiro: Rumo a uma Arquitetura Alternativa
No pilar econômico, a Declaração do Rio buscou reforçar a cooperação interna e, ao mesmo tempo, avançar na construção de uma arquitetura financeira mais alinhada aos interesses do Sul Global. O documento expressa apoio a um sistema multilateral de comércio aberto, transparente e baseado em regras, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu núcleo. Contudo, essa defesa veio acompanhada de uma ressalva importante: a rejeição de medidas protecionistas disfarçadas de políticas ambientais, uma clara alusão a mecanismos como o Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia, que são vistos como discriminatórios pelos países do bloco.
O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como “banco do BRICS”, recebeu um forte endosso. Os líderes reconheceram seu papel crescente como um importante agente de financiamento para o desenvolvimento no Sul Global e incentivaram a expansão de seus membros e o fortalecimento de sua estrutura de governança.
Um dos pontos mais estratégicos da declaração foi a instrução para que os ministros de finanças e presidentes de bancos centrais continuem a discussão sobre a “Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do BRICS”. Embora a ideia mais ambiciosa de uma “moeda do BRICS” tenha perdido força e entrado em “banho-maria” diante de complexidades técnicas e pressões externas 13, a busca por alternativas ao dólar americano para facilitar o comércio e o investimento entre os membros permanece como uma prioridade. A iniciativa de pagamentos visa criar sistemas mais eficientes e baratos para transações em moedas locais, reduzindo a dependência do sistema financeiro ocidental e aumentando a autonomia do bloco.
A análise da Declaração do Rio revela uma estratégia sofisticada e de dupla via que o BRICS está adotando para remodelar a ordem global. O bloco não se posiciona de forma puramente revisionista, buscando a destruição do sistema existente, mas sim de forma pragmática. A primeira via é reformista: o grupo exige ativamente reformas nas instituições estabelecidas (ONU, FMI, Banco Mundial, OMC) para ganhar mais voz, poder e representatividade dentro da atual arquitetura de governança. A segunda via é construtivista: simultaneamente, o BRICS investe na criação de instituições e mecanismos paralelos (como o NDB e a Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços) que funcionam como alternativas viáveis. Essas novas estruturas aumentam a autonomia coletiva do Sul Global e reduzem a dependência do sistema dominado pelo Ocidente. Essa estratégia dual permite ao bloco ser flexível, negociando por mais espaço na mesa existente enquanto, ao mesmo tempo, constrói sua própria mesa. Isso reflete um “pragmatismo da neutralidade”, permitindo ao grupo navegar em um ambiente internacional complexo sem se comprometer com uma ruptura total.
IV. Os Entregáveis Temáticos: As Declarações Estratégicas da Cúpula
Um dos maiores sucessos da presidência brasileira foi a capacidade de canalizar as discussões para a produção de resultados concretos, culminando na adoção de três declarações temáticas específicas. Essas iniciativas não apenas refletem as prioridades do Brasil, mas também demonstram a capacidade do bloco de ir além da retórica e gerar cooperação em áreas de alto impacto para as populações de seus países.
1. Saúde Global: A Parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas
O principal entregável na área da saúde foi o lançamento da “Parceria do BRICS para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas”. Esta iniciativa inovadora visa combater um conjunto de enfermidades, como tuberculose, hanseníase, malária, doença de Chagas e dengue, cuja incidência e prevalência estão intrinsecamente ligadas a determinantes sociais como pobreza, fome, exclusão social, falta de saneamento básico e acesso precário à moradia.23 A parceria reconhece que a saúde não pode ser dissociada das condições socioeconômicas e busca promover respostas integradas e multissetoriais.
A iniciativa foi diretamente inspirada no programa brasileiro “Brasil Saudável”, que adota uma abordagem intersetorial para enfrentar os problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de populações vulneráveis. Para garantir a sustentabilidade e o acompanhamento da parceria, a presidência brasileira propôs a sua institucionalização, com a realização de sessões ministeriais anuais dedicadas especificamente ao tema, uma proposta que foi acolhida. A implementação será flexível, adaptada às necessidades e capacidades de cada país membro. O objetivo estratégico da parceria é alinhar o compromisso político dos líderes do BRICS com a cooperação técnica e a mobilização de recursos para acelerar o progresso em direção à equidade em saúde, contribuindo diretamente para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 da Agenda 2030 da ONU.
2. Governança da Inteligência Artificial (IA): Uma Voz para o Sul Global
Na fronteira da tecnologia, os líderes endossaram a “Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial”. Este documento posiciona o bloco como um ator relevante no debate global sobre como regular e direcionar uma das tecnologias mais transformadoras da atualidade. O objetivo é garantir que os países em desenvolvimento, que compõem o Sul Global, tenham uma voz ativa em uma discussão que tem sido amplamente liderada pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pela China.
A declaração estabelece um conjunto de princípios para guiar a governança da IA. Ela defende o desenvolvimento, a implantação e o uso responsáveis da tecnologia, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e o crescimento inclusivo. Sublinha a necessidade de mitigar os riscos potenciais da IA, ao mesmo tempo que se garante que suas oportunidades atendam às necessidades de todos os países, não apenas de alguns. O documento defende um esforço global coletivo, com as Nações Unidas no centro do processo, para construir confiança, garantir colaboração internacional e assegurar um acesso amplo e inclusivo à tecnologia e seus benefícios. A declaração também expressa preocupações específicas, como os riscos de apropriação indevida e deturpação de patrimônios culturais que estão sub-representados nos conjuntos de dados, bem como o impacto profundo da IA nas relações de trabalho, que pode criar tanto oportunidades quanto desigualdades.
3. Finanças Climáticas e Meio Ambiente: Preparando o Terreno para a COP30
O terceiro grande entregável foi a “Declaração-Marco dos Líderes do BRICS sobre Finanças Climáticas”. Este documento sinaliza a intenção do bloco de exercer um papel de liderança na agenda climática global, especialmente no contexto da preparação para a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), que será sediada pelo Brasil em Belém. A cúpula expressou total apoio à presidência brasileira da COP30, indicando um esforço de articulação prévia do bloco para o evento.
A declaração-marco visa alavancar a força econômica e a capacidade de inovação dos países BRICS para demonstrar que uma ação climática ambiciosa pode e deve andar de mãos dadas com a prosperidade e o desenvolvimento sustentável. Um ponto central do documento é a ênfase na necessidade de financiamento climático acessível, oportuno e com custos viáveis para os países em desenvolvimento, considerado essencial para viabilizar transições justas.
Politicamente, a declaração adota uma postura firme contra o que o bloco percebe como medidas protecionistas disfarçadas de políticas ambientais. O texto rejeita explicitamente “mecanismos unilaterais e discriminatórios de ajuste de carbono nas fronteiras (CBAMs) e outras regulações sob pretexto ambiental que não estejam em conformidade com o direito internacional”. Esta é uma crítica direta a políticas como a da União Europeia, que o BRICS vê como uma barreira comercial que penaliza injustamente os produtores do Sul Global.
A agenda temática impulsionada pela presidência brasileira revela uma estratégia diplomática calculada. Ao focar em saúde, IA para o desenvolvimento e justiça climática, o Brasil utilizou seu soft power para moldar a identidade do BRICS. Essa agenda, com forte apelo social e de desenvolvimento humano, contrasta com as prioridades mais focadas em geopolítica e segurança de membros como Rússia e China. Ao liderar e obter sucesso nessas áreas, o Brasil projetou uma imagem de liderança construtiva, alinhada com as preocupações da vasta maioria das nações do Sul Global. A “Parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas” é o exemplo mais claro dessa abordagem: uma pauta com impacto direto e positivo na vida das pessoas , inspirada em uma política pública brasileira de sucesso , e que estabelece um mecanismo de cooperação duradouro através de reuniões anuais , consolidando a liderança e a influência do Brasil dentro do bloco.
V. Análise dos Discursos e Perspectivas dos Líderes
Os discursos proferidos pelos principais representantes do Brasil durante a cúpula, notadamente o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ofereceram uma visão clara da estratégia diplomática do país e de sua visão para o papel do BRICS no mundo. A análise desses pronunciamentos revela uma abordagem multifacetada, com tons e ênfases distintos, mas complementares.
Discurso do Presidente Lula
O discurso do presidente Lula na sessão plenária de abertura foi marcado por um tom notavelmente assertivo e crítico em relação à ordem internacional vigente. Ele não hesitou em usar uma linguagem forte para diagnosticar o que chamou de “colapso do multilateralismo” e afirmar que o “direito internacional se tornou letra morta”. Lula direcionou críticas específicas a atores e instituições, acusando a recente decisão da OTAN de destinar maiores recursos para gastos militares de alimentar uma nova e perigosa “corrida armamentista”, em detrimento dos investimentos prometidos para o desenvolvimento.
Em relação ao conflito no Oriente Médio, o presidente brasileiro reiterou a posição de seu governo, condenando os “atos terroristas perpetrados pelo Hamas”, mas, ao mesmo tempo, classificando a resposta militar de Israel na Faixa de Gaza como um “genocídio” e um “uso da fome como arma de guerra”. Ele defendeu enfaticamente a solução de dois Estados, com o estabelecimento de um Estado palestino soberano, como o único caminho para uma paz duradoura.
A visão de Lula para o BRICS é a de um agrupamento com a capacidade e a responsabilidade de atuar como uma força para a promoção da paz e a mediação de conflitos. Ele argumentou que a diversidade e a representatividade do bloco o tornam singularmente capaz de “lançar as bases de uma governança internacional revigorada”.
Discurso do Ministro Mauro Vieira
Em contraste com o tom político e contundente do presidente, os pronunciamentos do Ministro Mauro Vieira adotaram uma linguagem mais diplomática e construtiva, focada em articular os princípios de cooperação que unem o bloco. O chanceler brasileiro fez questão de refutar a percepção de que o BRICS é um bloco “anti-Ocidente” ou “contra os EUA”. Em vez disso, ele o caracterizou como um agrupamento “a favor” dos interesses de seus próprios membros e do Sul Global como um todo.
Vieira, assim como Lula, buscou conectar o BRICS a uma herança histórica de luta por uma ordem mundial mais justa, traçando uma linha direta com o legado do Movimento Não-Alinhado e os esforços por uma Nova Ordem Econômica Internacional. Sua fala enfatizou que a paz deve ser construída através do diálogo, do desenvolvimento e do respeito ao direito internacional, e não imposta, posicionando o BRICS como uma plataforma para a diplomacia em vez do confronto.
A análise comparativa dos discursos sugere uma divisão de trabalho estratégica na diplomacia brasileira. O presidente Lula, como chefe de Estado, assume o papel de líder político, com um discurso forte e direcionado a uma audiência tanto global quanto doméstica. Suas críticas diretas a atores e instituições (OTAN, Israel, Conselho de Segurança) servem para galvanizar o apoio do Sul Global e reforçar sua imagem como uma voz proeminente no cenário mundial. O Ministro Mauro Vieira, por sua vez, desempenha o papel do diplomata profissional, com um tom mais moderado e construtivo. Sua função é reafirmar os princípios de cooperação do bloco, construir pontes e tranquilizar parceiros externos, assegurando que o BRICS busca a cooperação e não o confronto. Essa dupla mensagem é estrategicamente sofisticada. Ela permite ao Brasil, simultaneamente, liderar a crítica à ordem vigente (através da voz de Lula) e se posicionar como um parceiro pragmático e moderado (através da voz de Vieira), maximizando sua influência e flexibilidade em diferentes arenas diplomáticas.
VI. Análise Crítica e Repercussões: A Visão de Think Tanks
A Cúpula do Rio e a trajetória recente do BRICS têm sido objeto de intensa análise por think tanks e centros de pesquisa ao redor do mundo. Essas análises oferecem uma perspectiva mais profunda sobre as dinâmicas internas, os desafios estruturais e o potencial futuro do agrupamento, indo além das declarações oficiais.
Crise de Identidade e a Tensão Interna
Uma linha de análise recorrente aponta que o BRICS, especialmente após sua expansão, atravessa uma “crise de identidade”. O principal dilema que o grupo enfrenta é sobre qual deve ser seu papel estratégico na ordem global: deve ele atuar como uma força reformista, pressionando por mudanças dentro do sistema existente e em diálogo com as potências do G7? Ou deve adotar uma postura mais abertamente contestadora e revisionista, liderada por China e Rússia, buscando construir uma ordem alternativa?.
Essa tensão fundamental é exacerbada por uma nova clivagem que emergiu com a entrada dos novos membros. Análises do think tank norte-americano Phenomenal World e do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) destacam um conflito de interesses estrutural entre os países com fortes agendas de industrialização verde e transição energética (como Brasil e China) e os novos membros que são gigantes da produção de combustíveis fósseis (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã). Com essa expansão, o BRICS passou a internalizar o principal dilema da transição energética global. A capacidade do grupo de gerenciar essa tensão entre a descarbonização e a economia do petróleo será um teste decisivo para sua coesão futura.
O Conceito de “Não Alinhamento Ativo”
Para descrever a estratégia de política externa de membros como o Brasil em face dessas tensões, analistas do CEBRI e de outras instituições têm empregado o conceito de “Não Alinhamento Ativo”. Esta não é uma postura de neutralidade passiva, mas uma estratégia proativa que se recusa a ser arrastada para a competição de grandes potências entre os Estados Unidos e a China. Em vez de escolher um lado, o “Não Alinhamento Ativo” busca preservar a autonomia nacional e engajar-se pragmaticamente com todos os lados para avançar em seus próprios interesses e na agenda mais ampla do Sul Global. A Cúpula do Rio, com seu foco em desenvolvimento em vez de confronto, pode ser vista como uma manifestação prática dessa doutrina.
A Visão dos Think Tanks do BRICS
As redes de think tanks do próprio bloco, como o BRICS Think Tank Council (BTTC) e o BRICS Policy Center (BPC), estão focadas em responder aos desafios da expansão através do fortalecimento da cooperação e da institucionalização.19 Suas prioridades de pesquisa e debate para 2025 refletem as preocupações práticas do grupo, incluindo a formulação de recomendações de políticas públicas para os líderes, o mapeamento detalhado dos mecanismos de cooperação existentes, e a condução de estudos sobre temas estratégicos como o uso de moedas nacionais no comércio intra-bloco, a governança de novas tecnologias como a IA e a expansão de mecanismos de financiamento alternativos.
A complexidade do BRICS expandido o transforma em algo mais do que um simples bloco de cooperação. Ele não é mais um grupo relativamente homogêneo de “economias emergentes”. Com sua nova composição, o BRICS tornou-se um microcosmo das principais clivagens e tensões do mundo contemporâneo. Dentro de sua estrutura coexistem democracias e autocracias, potências industriais e exportadores de commodities, campeões da agenda verde e gigantes dos combustíveis fósseis, países com fortes laços com o Ocidente e nações sob severas sanções ocidentais. A capacidade do grupo de gerenciar essa imensa diversidade interna e, ainda assim, produzir resultados cooperativos, como demonstrou na Cúpula do Rio, o converte em um verdadeiro laboratório para o futuro da governança global. Se o BRICS conseguir desenvolver modelos de cooperação e tomada de decisão que acomodem essa heterogeneidade, ele poderá oferecer um protótipo funcional de como uma ordem mundial genuinamente multipolar – e não apenas bipolar – poderia operar. O sucesso ou o fracasso de sua coesão interna, portanto, tem implicações que transcendem em muito os interesses imediatos de seus membros, oferecendo pistas sobre os desafios e as possibilidades de um sistema internacional em profunda transformação.
VII. Conclusão: O Legado da Cúpula do Rio e o Futuro do BRICS
A 17ª Cúpula do BRICS, realizada no Rio de Janeiro, deixa um legado complexo e multifacetado. Embora a narrativa inicial tenha sido dominada pelo déficit de presença de líderes-chave, uma análise mais profunda revela um encontro de sucesso substantivo, que pode ser visto como um ponto de inflexão na trajetória do agrupamento.
O legado imediato da cúpula é marcado por três conquistas principais. Primeiro, a consolidação da maior expansão da história do bloco, com a entrada da Indonésia como membro pleno e a criação da inovadora categoria de “países parceiros”, que amplia significativamente o alcance e a representatividade do BRICS. Segundo, a entrega de resultados concretos e de alto impacto social e tecnológico, materializados nas declarações específicas sobre a eliminação de doenças socialmente determinadas, a governança da inteligência artificial e o financiamento climático. Terceiro, a reafirmação de uma agenda política coesa em torno da necessidade de reformar a governança global. A presidência brasileira, apesar dos desafios simbólicos, foi bem-sucedida em avançar em sua agenda substantiva e em obter consenso em áreas prioritárias.
Contudo, os desafios futuros para o bloco são tão significativos quanto suas conquistas recentes. O principal deles será gerenciar a crescente heterogeneidade de um grupo que agora abrange 21 nações com sistemas políticos, modelos econômicos e interesses geopolíticos vastamente diferentes. Manter a coesão e o princípio do consenso será uma tarefa exponencialmente mais difícil. A tensão estrutural entre as agendas de energia verde e de combustíveis fósseis, agora internalizada no bloco, emergirá como um teste decisivo para a credibilidade e a direção estratégica do BRICS nos próximos anos.
Em uma projeção estratégica, a Cúpula do Rio pode ser entendida como o momento em que o BRICS iniciou sua transição de um fórum de diálogo político, muitas vezes informal, para uma plataforma institucional mais complexa e estruturada. Seu futuro papel na governança global dependerá criticamente de sua capacidade de transformar as ambiciosas declarações de seus líderes em ações coordenadas e eficazes. O sucesso do bloco não residirá em se posicionar como um polo “anti-Ocidente”, mas sim em se consolidar como o principal e mais eficaz articulador dos interesses multifacetados do Sul Global. Em um mundo cada vez mais fragmentado e em busca de novas formas de governança, o BRICS, fortalecido e expandido pela Cúpula do Rio, está posicionado para desempenhar um papel central, para o bem ou para o mal, na definição da ordem internacional do século XXI.
Referências citadas
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