
Israel lançou na madrugada de 13 de junho de 2025 o maior ataque militar contra o Irã desde a Guerra Irã-Iraque dos anos 1980, destruindo instalações nucleares críticas e eliminando comandantes militares de elite em uma operação que marca a transição definitiva do conflito por procurações para o confronto direto entre as duas potências regionais rivais. A Operação Leão Crescente israelense provocou represálias imediatas do Irã através da Operação Castigo Severo, estabelecendo um novo paradigma de guerra no Oriente Médio com implicações globais profundas.
O confronto representa a culminação de uma escalada que se intensificou após os ataques do Hamas de outubro de 2023, período durante o qual Israel desmantelou sistematicamente o “Eixo da Resistência” iraniano – a rede de milícias xiitas que incluía Hamas, Hezbollah e grupos no Iraque e Iêmen. Com seus aliados regionais severamente enfraquecidos e o programa nuclear iraniano próximo do limiar crítico para produção de armas nucleares, Israel identificou uma janela estratégica única para ação preventiva decisiva.
Operação militar israelense atinge coração do programa nuclear iraniano
Na madrugada de 13 de junho, mais de 200 aeronaves israelenses, incluindo caças F-35I operando em modo stealth, atacaram simultaneamente mais de 100 alvos em território iraniano durante cinco ondas coordenadas de ataques. A operação, batizada de “Operação Leão Crescente”, teve como alvos principais as instalações nucleares de Natanz e Isfahan, além de centros de comando militar em Teerã, Tabriz e outras cidades iranianas.
O complexo nuclear de Natanz sofreu danos devastadores. A instalação piloto de enriquecimento de urânio acima do solo foi completamente destruída, enquanto o sistema elétrico principal do complexo subterrâneo foi severamente danificado, colocando em risco milhares de centrifugas avançadas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou a destruição e detectou contaminação radioativa controlável dentro do complexo, embora sem vazamento externo.
Em Isfahan, o Centro de Tecnologia Nuclear também foi atingido, com quatro edifícios críticos danificados, incluindo a instalação de conversão de urânio. No entanto, a instalação subterrânea de Fordow, protegida no interior de uma montanha, permaneceu largamente intacta, preservando parte das capacidades nucleares iranianas.
Decapitação da liderança militar e científica iraniana
Além dos ataques às instalações nucleares, Israel executou uma campanha de assassinatos seletivos sem precedentes contra a elite militar e científica iraniana. Entre os mortos estão o General Hossein Salami, comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, e o Major-General Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas – as duas figuras militares mais importantes do país após o próprio Líder Supremo.
Também foram eliminados o Brigadeiro-General Amir Ali Hajizadeh, comandante da Força Aérea da IRGC, responsável pelo programa de mísseis balísticos, e Ali Shamkhani, ex-chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional e assessor próximo do Aiatolá Khamenei. A operação matou ainda seis cientistas nucleares seniores, incluindo especialistas em física, mecânica e engenharia de materiais nucleares.
Essa decapitação simultânea da liderança militar e científica representa o maior golpe à hierarquia iraniana desde a Revolução de 1979, comprometendo gravemente a capacidade de comando e controle do regime e seu programa de desenvolvimento de armas nucleares.
Irã responde com chuva de mísseis sobre território israelense
O Irã retaliou na noite de 13 de junho com a “Operação Castigo Severo”, lançando centenas de mísseis balísticos contra território israelense em múltiplas ondas de ataques que continuaram até a madrugada de 14 de junho. Os mísseis atingiram Tel Aviv, Jerusalém e instalações militares, causando ao menos quatro mortos e mais de 60 feridos israelenses, com danos significativos a edifícios residenciais.
O ataque iraniano, embora limitado em eficácia devido às defesas aéreas israelenses e americanas, marcou a primeira vez na história que o Irã atacou diretamente o território israelense com tamanha intensidade. Segundo o Exército israelense, foram interceptados mais de 80% dos mísseis iranianos, mas alguns projéteis conseguiram atingir áreas civis, incluindo o distrito de Rishon Lezion, próximo a Tel Aviv.
As represálias continuaram nas primeiras horas de 14 de junho, com Israel lançando nova rodada de ataques contra infraestrutura energética iraniana e bases aéreas, enquanto o Irã mantinha ameaças de intensificar os ataques e “mirar nas bases regionais de qualquer país que tente defender Israel”.
Contexto estratégico: colapso do Eixo da Resistência iraniano
O confronto direto tornou-se possível devido ao enfraquecimento sistemático dos aliados regionais iranianos desde outubro de 2023. O Hamas foi severamente degradado na guerra de Gaza, o Hezbollah perdeu praticamente toda sua liderança sênior em operações israelenses sofisticadas, e a queda do regime de Assad na Síria em dezembro de 2024 rompeu o “corredor terrestre” vital para o fornecimento de armas ao Líbano.
Esse colapso do “Eixo da Resistência” – a rede de milícias xiitas que o Irã desenvolveu durante décadas como estratégia de “defesa avançada” – deixou Teerã estrategicamente isolado e vulnerável a ataques diretos, criando a janela de oportunidade que Israel aproveitou para sua operação preventiva.
Simultaneamente, o programa nuclear iraniano havia atingido níveis críticos. Em maio de 2025, a AIEA reportou que o Irã acumulara 408,6 quilos de urânio enriquecido a 60% – quantidade suficiente para aproximadamente 10 bombas nucleares se enriquecido ao nível militar de 90%. Analistas estimavam que Teerã poderia produzir material para uma primeira arma nuclear em menos de uma semana.
Fracasso diplomático precipita confronto militar
Os ataques israelenses ocorreram no exato momento em que expirara o ultimato de 60 dias dado pelo presidente americano Donald Trump ao Irã para aceitar um acordo nuclear. As negociações indiretas entre Washington e Teerã, mediadas por Omã, colapsaram em 12 de junho quando o Irã rejeitou como “inaceitável” a proposta americana de cessação total do enriquecimento de urânio.
Trump, que havia advertido haver “mais por vir” caso as negociações falhassem, confirmou ter sido informado antecipadamente dos planos israelenses, mas negou envolvimento militar direto americano. “O Irã não pode ter uma bomba nuclear, e estamos esperando voltar à mesa de negociação”, declarou o presidente americano, que posteriormente ofereceu apoio defensivo a Israel contra represálias iranianas.
O fracasso diplomático, combinado com o anúncio iraniano de uma terceira instalação de enriquecimento e instalação de centrifugas avançadas, convenceu a liderança israelense de que a ação militar preventiva havia se tornado inevitável. “Por décadas advertimos sobre o programa nuclear iraniano. Nossa geração não permitirá que o Irã obtenha armas nucleares”, declarou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Comunidade internacional se divide entre condenação e apoio cauteloso
A comunidade internacional reagiu com divisões claras ao confronto. Os Estados Unidos forneceram apoio defensivo interceptando mísseis iranianos direcionados a Israel, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio enfatizou que foram “ações unilaterais” israelenses. China e Rússia condenaram veementemente os ataques israelenses e ofereceram mediação, com Pequim denunciando “violação da soberania iraniana” e Moscou advertindo sobre riscos de escalada nuclear.
Surpreendentemente, países árabes tradicionalmente hostis a Israel adotaram posições mais equilibradas. A Arábia Saudita condenou os ataques como “obstáculo à desescalada diplomática”, mas evitou retórica inflamada, sinalizando mudanças nas dinâmicas regionais. Os Emirados Árabes Unidos, apesar dos laços próximos com Israel, instaram por “máxima moderação”, refletindo preocupações com estabilidade regional.
A ONU convocou sessão emergencial do Conselho de Segurança, onde o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, advertiu que “instalações nucleares nunca devem ser atacadas” e ofereceu assistência para avaliar danos radioativos. Omã cancelou as negociações programadas entre EUA e Irã, declarando Israel responsável pela escalada e suas consequências.
Impactos econômicos globais e riscos energéticos
O confronto provocou ondas de choque nos mercados globais, com o petróleo Brent saltando 13% para $78,50 por barril em sua maior alta desde a invasão russa da Ucrânia. Os mercados acionários americanos despencaram, com o Dow Jones perdendo 770 pontos e o ouro subindo 1,4% conforme investidores buscaram ativos seguros.
O principal temor econômico centra-se no Estreito de Hormuz, por onde transita 20% do comércio global de petróleo. Qualquer fechamento ou restrição dessa rota crucial poderia disparar os preços energéticos para $120-130 por barril, gerando pressões inflacionárias globais e riscos de estagflação, especialmente combinados com as políticas tarifárias do governo Trump.
Economistas estimam redução de 0,5% no crescimento global em 2025 caso o conflito se prolongue, com consumidores americanos enfrentando aumentos de 10-25 centavos por galão na gasolina. A volatilidade energética também compromete os esforços de combate à inflação dos bancos centrais mundiais.
Cenários futuros entre escalada regional e contenção diplomática
Analistas identificam quatro cenários principais para o desenrolar do conflito. O mais provável (40% de probabilidade) é uma “escalada controlada” com trocas limitadas de ataques por algumas semanas, seguida de cessar-fogo forçado pela pressão internacional, resultando em status quo modificado com Irã enfraquecido.
Um cenário mais perigoso (30% de probabilidade) envolveria guerra regional expandida com ativação dos remanescentes do Eixo da Resistência, ataques à infraestrutura energética e possível fechamento temporário do Estreito de Hormuz, precipitando crise econômica global e intervenção militar americana direta.
Menos provável mas não impossível (20% de probabilidade) seria o colapso ou mudança de regime no Irã, onde pressões internas derrubam o governo iraniano, gerando caos político e fragmentação territorial. O cenário mais otimista (10% de probabilidade) seria desescalada diplomática com retomada das negociações nucleares sob nova pressão.
Programa nuclear iraniano recua anos mas não é eliminado
Avaliações preliminares indicam que os ataques israelenses atrasaram o programa nuclear iraniano entre 6 meses e 2 anos, mas não o eliminaram permanentemente. A destruição da instalação de Natanz e perda de cientistas seniores representam golpes significativos, mas as capacidades subterrâneas de Fordow permanecem intactas.
Netanyahu declarou que Israel “alcançou todos os objetivos” e prometeu continuar a operação “por quantos dias forem necessários para eliminar a ameaça nuclear iraniana”. Contudo, especialistas advertem que o Irã mantém conhecimento técnico e material enriquecido suficientes para eventualmente reconstruir suas capacidades, especialmente com apoio chinês e russo.
O Líder Supremo iraniano Ali Khamenei prometeu “punição amarga e dolorosa” a Israel, mas indicações sugerem que as opções militares iranianas estão severamente limitadas pela eliminação da liderança militar e degradação dos sistemas defensivos. A resposta iraniana pode se concentrar em guerra assimétrica através de ciberataques e terrorismo internacional.
Novo paradigma de confronto direto redefine Oriente Médio
O confronto Israel-Irã de junho de 2025 marca o fim da era de guerra por procurações e o início de uma nova fase de confronto direto entre as duas potências regionais rivais. A operação israelense demonstrou capacidades militares e de inteligência sem precedentes, estabelecendo nova dinâmica de deterrência baseada na ameaça de ataques preventivos devastadores.
Para o Irã, o conflito expõe a falência da estratégia de “defesa avançada” através de milícias regionais e a vulnerabilidade do programa nuclear a ataques de precisão. A eliminação simultânea da liderança militar e científica representa o maior golpe ao regime desde sua fundação, forçando reavaliação fundamental de suas ambições nucleares e regionais.
Regionalmente, o confronto acelera realinhamentos estratégicos, com países árabes adotando posturas mais equilibradas e Israel consolidando vantagem militar decisiva. Globalmente, estabelece precedente perigoso para ataques preventivos contra programas nucleares, enquanto testa limites da contenção diplomática internacional em crises de proliferação nuclear.
O desfecho final dependerá da capacidade dos atores regionais e internacionais de canalizar esta crise para resolução estável que previna tanto proliferação nuclear iraniana quanto guerra regional devastadora. A janela diplomática permanece estreita, mas crítica para evitar escalada que poderia transformar o Oriente Médio em teatro de conflito generalizado com consequências globais imprevisíveis.